O desejo de união entre a mulher
e o homem é algo perfeitamente natural. Este desejo manifesta-se de um modo
impulsivo e claro em ambos, embora a vertente masculina se destaque de modo
mais abertos, o que se deve não tanto à natureza como aos condicionamentos
sociais que refreiam e reprimem os impulsos sexuais femininos. A repressão
implícita do que “dirão!” é muito poderosa a certos níveis, no que respeita aos
instintos sexuais femininos e à sua natural satisfação.
Apesar da igualdade de
oportunidade entre os sexos, muitas mulheres ainda esperam que o homem tome a
iniciativa, mesmo que os hábitos das serenatas, dos homens oferecerem flores,
de convidarem para um jantar romântico ou até de dar passagem a uma senhora se
estejam a perder. Fazem parte de um conjunto de normas de cortesia, que só a
geração mais antiga ainda segue, mas que dão muito jeito conhecer quando alguém
parte à conquista de uma mulher.
A mulher sente receio perante
certas formas de excitação sexual e não são poucos os casos em que ela própria
se opõe a satisfazer sexualmente os seus desejos de uma forma plena.
UM CASO VERÍDICO
Podemos referir aqui um caso
prático, que realça esta susceptibilidade da mulher em relação aos seus
direitos de satisfação sexual. Trata-se de uma carta escrita por uma mulher de
Colónia:
“Ainda não faz dois anos que me
casei pela segunda vez. Tenho trinta e cinco anos e o meu marido é mais velho
do que eu três anos. Enquanto o primeiro era um irresponsável em questões de
dinheiro e de mulheres, ou em qualquer outro aspecto da vida, da vida, o actual
é completamente diferente e eu sou muito feliz com ele tanto a nível sexual
como psiquicamente. Só há um assunto que desde há algum tempo me tem deixado
preocupada.
Pouco depois do nosso casamento,
confessou-me que tinha alguma preferência por certas roupas interiores de
borracha. Sem dúvida ficará tão surpreendido quanto eu, pois nunca tinha ouvido
falar de semelhante coisa. Mais tarde, pude dar-me conta de que muitos homens
sentem atracção por um certo tipo de lingerie,
e muitas fábricas se dedicam à sua fabricação. Depois de muitas hesitações em
minha parte, decidimos adquirir algumas destas roupas interiores que tanto o
encantavam. Tenho de reconhecer que são muito atractivas, embora não lhes
encontre nada de particular. O meu companheiro deseja que eu as vista e
excita-se muito quando me passeio, de um lado para o outro, exibindo-as diante
dele.
Tenho a sensação de que agora
sente mais prazer no nosso relacionamento sexual e fica verdadeiramente satisfeito.
Como este comportamento se me
afigurava estranho, quando achei oportuno, comentei o assunto com outra pessoa.
Falei com uma amiga minha, da minha idade, também casada e por quem nutria
sincera amizade, para lhe pedir a opinião. Por sorte referi o tema em termos
vagos, pois ela disse-me que era horrível, antinatural, anormal e não sei
quantas coisas mais. Desviei a conversa e, mais tarde, comentei com o meu
marido que ficou muito sentido, acrescentando que havia faltado à sua
confiança.
Acredite que por nada deste mundo
desejo perdê-lo, mas apenas quero saber a verdade se a opinião da minha amiga
era correcta.”
Este é um exemplo do pedido de
ajuda relativo a sexo que surge com frequência, mas que não tem razão de ser,
pois tudo o que os amantes em conjunto resolverem adoptar na relação a dois é
lícito e legítimo. Tanto a mulher como o homem devem tentar não defraudar as
expectativas de cada um, relativamente à excitação sexual, tentando atingir a
plena satisfação.
ABRAÇOS E CARÍCIAS.
Não há dúvida de que excitando
sexualmente o homem, a mulher aumentará as possibilidades da sua própria
excitação.
A mulher necessita de ternura
quando chega o momento de ser excitada sexualmente, mas também necessita que o
homem saiba realizar com habilidade todos os jogos de excitação sexual que
servem de prelúdio ao coito.
O abraço é muito importante para
a excitação. Trata-se de um método tão antigo como a espécie humana. “O abraço
é o contacto corporal que reflecte a alegria de um homem e uma mulher unidos
por amor”, - esta é uma frase basilar inscrita no Kama Sutra, e que deve ser seguida sem restrições por todos os
casais.
Os escritos antigos afirmam que
há quatro classes de abraço:
·
O abraço do tacto (o homem sentindo um desejo
violento toca o corpo de uma mulher com o seu geralmente usando algum pretexto
ou desculpa, pois este é o mais elementar dos contactos corporais);
·
O abraço da penetração (quando a mulher se
inclina para recolher algo do chão e toca com os peitos no corpo do amante e
este logo os cobre com as suas mãos). Estas duas formas de contacto corporal
são utilizadas somente pelos amantes que estejam seguros dos seus sentimentos e
intenções mútuas;
·
Os amantes passeiam lentamente por um jardim
tranquilo e com sombras, roçando apenas com os seus corpos, um contra o outro.
A isto chama-se abraço de fricção;
·
Todavia, quando um deles o prime com força e
apaixonadamente o corpo do seu amante com o seu próprio corpo estamos perante o
abraço de pressão.
Os abraços atrás referidos são
utilizados por aqueles que tenham sucumbido às flechas do cupido e estão
dispostos a flutuar juntos no mar tempestuoso do desejo.
ENTREGA AO PRAZER.
Ainda de acordo com o Kama Sutra, quando um homem e uma mulher
se encontram com o único objectivo de entregar-se aos recíprocos prazeres do
amor, em geral abraçam-se das seguintes maneiras:
·
Quando uma mulher se enrosca no seu amante tão
firmemente como uma serpente em redor de uma árvore, aproxima a cabeça dos seus
lábios ansiosos e ele a beija emitindo um som ligeiramente sibilante, olhando-a
longa e ternamente, de pupilas dilatadas pelo desejo. A esta posição chama-se o
abraço da serpente.
·
Se a mulher coloca um pé sobre o pé do seu
amante e o outro ao redor da sua perna; ele coloca um braço em redor do pescoço
e com o outro rodeia-lhe a cintura e gene suavemente de desejo, como se
quisesse trepar pelo corpo firme para lhe capturar um beijo, estamos perante o
abraço trepador.
Estas atitudes apaixonadas são só um prelúdio da união
em si.
·
Quando um homem e uma mulher, deitados sobre a
cama, se abraçam com tanta força que os seus braços e pernas estão enroscados
em suave fricção, chama-se a união da semente de sésamo com o grão de arroz.
·
Quando um homem e uma mulher se amam
violentamente e sem medo de dor, como se desejassem penetrar no corpo um do
outro. Se a mulher estiver sentada em cima dos joelhos dele ou em pé ante ele,
ou até deitada debaixo dele, o seu abandono é denominado a união do leite com a
água.
Estas
metáforas, que se subentendem destas descrições, levam ao despertar da excitação
da mulher e, sem dúvida alguma, devem ser prosseguidas no jogo amoroso que
precede a realização do acto sexual.
COMPREENSÃO
PSICOSSEXUAL.
Há muitas
mulheres que consideram as práticas orais como uma aberração e não permitem que
o homem desperte o desejo feminino por meio de carícias orais nos seus
genitais. Na realidade, trata-se de uma prática de excitação sexual que se pode
considerar normal. Segundo as informações obtidas por Kinsey, um estudioso
nessa matéria: “Cerca de 54% dos americanos casados realizam práticas orais e
um número de 49% das mulheres fazem o mesmo. Não é anormal, nem perverso, mas
sim a expressão máxima do interesse amoroso e da preocupação pelo outro.”
A mulher,
habitualmente mais tímida, deve ter toda a compreensão nas suas relações
sexuais. Tudo o que se faz com amor entre duas pessoas resulta em linhas
gerais, permissivo. O condenável nas práticas mútuas de excitação, não é, em
nenhum dos casos, a prática em si mesma, mas a maldade intencional de quem quer
deturpar sentimentos. Uma mulher deve deixar-se guiar pelos instintos, de modo
a perceber quando o companheiro sente por ela verdadeiro amor ou simplesmente
quer obter prazer a todo o custo.
“A maioria dos
casais – escreve Oswalt Kolle – demora três ou quatro anos a compenetrar-se dos
desejos de ambos e deste período pode resultar uma época de dificuldades e até
de tortura. No entanto, há outros que vivem uma época de maravilhosa
aprendizagem no lento caminho da felicidade e das experiências humanas do
descobrimento do outro, num revelar contínuo de surpresa.”
Isto depende
totalmente da forma como cada qual entende o amor. Se uns pensam que a vida
conjugal é uma instituição educadora e desejam corrigir os defeitos do outro,
impondo-lhe as suas próprias convicções pela força, apenas conseguirão
fracassar, tanto na vida quotidiana, como nas relações íntimas.
Desde logo, as
más experiências, as relações mais temperamentais, ou seja o que for que une
duas pessoas, há sempre algo inexplicável que liga ao outro no caminho do amor.
Mas uma coisa é guiar e ensinar e outra coisa, muito distinta, é impor. A
pessoa que assume aquela responsabilidade deve agir como um bom alpinista, que
guia um novato ensinando-lhe o modo de ir ultrapassando os obstáculos.
A NECESSIDADE
DE CARÍCIAS ANTES DO COITO.
O homem tem de
ter sempre em conta que cada mulher tem a sua própria personalidade. Qualquer
tendência para o machismo pode frustrar, à partida, as relações sexuais, por
incompatibilidade de comportamentos.
Antes de
chegar ao acto sexual propriamente dito, é preciso estabelecer um prelúdio de
jogos amorosos, jogos esses que umas vezes são mais prolongados do que outras,
mesmo que se trate da mesma mulher – já que depende dela mais do que dele, do
seu estado de ânimo e de uma série de factores extra-eróticos, que podem levar
ao orgasmo, tanto antes como depois.
A
responsabilidade do homem, neste sentido, é muito grande e nem sempre é
assumida em plena consciência. Tem muitos meios ao seu alcance para excitar
sexualmente a mulher, tudo dependendo dos expedientes que saiba utilizar, no
momento exacto e com a habilidade que cada caso requeira.
A excitação
sexual da mulher é uma tarefa que deve ser levada a cabo pelo homem, ao mesmo
tempo com a máxima delicadeza e audácia, com base na prudência e na oportunidade,
de reflexos psicológicos e experiência acumulada. Só actuando como um
verdadeiro artista o homem conseguirá, no decurso do prévio jogo amoroso do
acto sexual, que a mulher se entregue sem reservas e possa com o seu par obter
o máximo de prazer na entrega, que vai culminar no orgasmo conjunto.
A EXCITAÇÃO
SEXUAL NO HOMEM.
Sexualmente, o
homem é muito mais fácil de excitar do que a mulher. Mas não se trata aqui de
demonstrar a rapidez com que isto se processa, mas antes ensinar a prolonga a
realização do acto sexual, de modo a que constitua uma espécie de obra de arte
e, ao mesmo tempo, um modo eficaz de contribuir para a excitação sexual da
companheira. Por exemplo, é de grande importância, ainda que possa parecer
secundário, a questão da luz enquanto se realiza o acto sexual. É algo que tem
de ser decidido em cada caso. Da importância do tema, resultou um inquérito
realizado por Kinsey, cujos resultados foram os seguintes:8 por cento das
mulheres e 21 por cento dos homens preferem que haja plena luz no local onde se
realiza o acto sexual; 11 por cento das mulheres e19 por cento dos homens
inclinam-se para que haja pouca luz; 26 por cento das mulheres e 25 por cento
dos homens desejam que o coito se realize às escuras; 28 por cento das e 25 por
cento dos homens não manifestam preferências por nenhuma das situações.
A ACTUAÇÃO DA
MULHER NO JOGO AMOROSO.
Assim como a
mulher necessita de ser acariciada com paciência, salvo em determinados casos
de mulheres muito apaixonadas que se desencantam perante a rudeza do homem, também
o homem requer um tratamento erótico especial por parte da mulher.
“É
completamente normal que o homem se excite fortemente quando contempla o corpo
da sua amada. A mulher, pelo contrário, pode ver o corpo do seu companheiro e ficar
tão fria como se tivesse a idealizar um novo vestido. A contemplação do rosto
do companheiro pode, em vez de a excitar, - distraí-la. Talvez por isso cerre
os olhos. No homem, essa contemplação funciona de forma diametralmente oposta:
aumenta a sua excitação”, esclarece o especialista Maxime Davies.
Por
conseguinte, a mulher tem de ter em conta esse factor na hora de participar no
jogo amoroso e oferecer o seu corpo à contemplação do companheiro. Desta forma,
a excitação sexual do homem aumentará.
PENETRAÇÃO
VAGINAL POSTERIOR
A penetração
vaginal posterior é conhecida como uma das posições mais naturais. Ela ajoelha-se
e apoia-se. Colocando as mãos no chão. As costas deverão ficar paralelas ao
chão. Ele aproxima-se por trás e usa uma mão para guiar o pénis até à vagina. Pode
ficar ajoelhado ou de cócoras ou pode mesmo sentar-se sobre ela com as pernas
abertas. Ela não tem qualquer tipo de controlo sobre o que se está a passar e
não pode ver nada a não ser que olhe por cima do ombro. Ele pode ver tudo e, se
se inclinar para a frente, pode acariciar-lhe os seios e o clitóris. O homem
pode penetrar a mulher de forma muito profunda e obter a máxima penetração,
sentando-se sobre ela de pernas abertas e colocando as coxas dela entre as
suas.
A penetração
profunda é tão fácil de alcançar nesta posição que o homem tem de ter cuidado
para não introduzir demasiado fundo o pénis, pois poderá tocar um ovário e isso
ser uma experiência extremamente dolorosa para a mulher.
No caso de a
mulher considerar esta posição cansativa ou incómoda, poderá colocar uma pilha
de almofadas por baixo dela.
Em
alternativa, pode ainda ajoelhar-se no chão e apoiar os braços na cama.
Para os homens
esta é provavelmente a mais afirmativa das posições. Sobretudo os homens, que
gostam de dominar a nível sexual, preferem esta posição.
A IMAGINAÇÃO
FEMININA NA HORA DE EXCITAR O COMPANHEIRO.
Já não é comum
aceitar a passividade feminina como um dado adquirido no que concerne às
relações sexuais. Trata-se de um tópico que não se deve perder de vista, poisa
mulher pode ter um papel activo, em consonância com a sua sensibilidade: pode
estimular a ser estimulada.
Se assim não
for, a harmonia sexual não tarda em desaparecer e o homem que se relaciona com uma
mulher passiva, em breve há-de encontrar novos horizontes eróticos. A mulher
que deixa toda a iniciativa ao marido corre um grave perigo: o de se converter
num objecto de prazer.
Para confirmar
esta situação, Kolle, transcreveu uma carta de uma mulher jovem:
“Nos dois anos
do meu matrimónio, notei que a actividade sexual do meu marido decaía visivelmente.
Temia pelo nosso casamento, caso as coisas continuarem daquele jeito. Enchi-me
de coragem e uma noite, quando regressou do trabalho, seduzi-o. Tenho de
confessar que a cena era fingida, mas dei-me perfeita conta de que ele gostava e
isso excitou-me.
Mais tarde
confessou-me: sempre esperei pelo dia em que fosse a mulher a provocar-me. Desde
essa altura compreendemos que uma vez tenho de ser eu, outras vezes tem de ser
ele a tomar a iniciativa. Actualmente já não precisamos de falar sobre este
assunto: tudo decorre da melhor forma, com a iniciativa de um e outro, segundo
os casos e as ocasiões”.
Esta é a
conduta inteligente que deve adoptar toda a mulher que deseja conservar o amor
do seu companheiro e manter o dinamismo desejável nas relações sexuais.
A IMPORTÂNCIA
FUNDAMENTAL DO AMOR NA VIDA DO HOMEM.
Há muitos
homens que consideram as conquistas sexuais como troféus desportivos. Não se
capacitaram da verdadeira importância que tem o amor como vínculo integrador
das relações humanas e no crescer firme de cada vida individual.
Fazer amor
trivialmente pode ser perigoso, pois minimiza o significado da união sexual e
pode chegar-se a uma impotência prematura.
Pouco a pouco,
a erecção torna-se mais rara e há cada vez mais necessidade de recorrer a
afrodisíacos ou a outras aberrações para se sentirem sexualmente excitados.
Contactado por
um jovem acerca deste problema, Kolle remete para as suas palavras: “Tenho de
reconhecer que antes do meu casamento levava uma vida sexual desordenada. Só encontrava
excitação nos incidentes fortuitos e na tensão da aventura. Necessitava sempre
de algo novo, um rosto diferente para cada ocasião. Pensava no casamento com
verdadeiro pavor. Não podia imaginar-me a realizar o mesmo jogo, um dia após o
outro, com a mesma mulher. Isso só podia causar-me o maior aborrecimento no
mais curto prazo. Até que um dia encontrei a que é hoje a minha mulher.
Repentinamente, dei-me conta de que até ali me tinha comportado como um caçador
de borboletas, que se diverte sem aprofundar o objectivo real do seu desporto.”